Lembro-me como se fosse hoje.
Era sábado, era janeiro, faltando poucos
dias para o carnaval, para ser mais exato catorze dias; em grande parte da cidade,
exclusivamente no Pelô, havia ensaios de varias bandas para o carnaval que
breve viria, a primeira capital do Brasil estava enfeitada, as pessoas
esperançosas, uma harmonia sem igual.
Final da tarde, às cinco horas, um lindo
pôr do sol com seus raios resplandecentes sobre o lindo mar da Bahia de São
Salvador; havia acabado de visitar o Pelô, passei toda a tarde por lá; lugar
histórico, exclusivas igrejas e casarões, apaixonantes, a arte desta tais são exuberantes,
tornou-se ainda mais depois de conhecer
as historias que igrejas e lugares guardavam
dentro de si, histórias que muitas pessoas sabiam, outras, que só as paredes e
becos saboreava em conhecê-las.
Olhei à hora e, vi que já estava ficando
tarde, show do Caê seria às 19h, apressadamente desci as escadas e ladeiras do
pelourinho, uber, aclive, declive, mar, buracos... Tal destino parecia que
nunca chegar, ainda faltava à ducha, as vestimentas e afins... Encontrava-me em
Salvador para tal evento e nada mais, mas, como nada é perfeito, coisas acontecem,
acabei me atrasado...
Cai à noite, desesperado, chego ao
condomínio, em minha cabeça não parava de pensar naquele show que logo estava
por vir.
Um grande mestre da música brasileira, um
grande artista, um grande leonino, me encontrava ansioso, havia esperado muito
por esse dia.
Chega a noite, termino de me arrumar,
todos na casa me desejam boa sorte, naquela noite além de Caetano teríamos a presença
de Teresa Cristina, uma grande cantora do Samba e Mpb.
A apresentação seria na Concha Acústica do
Teatro Castro Alves, aciono um uber, tal me aguarda por mais sete minutos (acho
que mais que isso), desço as escadas, chego à concha!
Pelo incrível que pareça (atrasado como sempre) o show já havia começado há poucos minutos, e, eu, ousado, sem mais lugares na plateia, sentei-me juntamento com grupo de pessoas que estavam no chão, bem próximo ao palco, ainda antes de adentrar, ouvia-se uma linda, suave e intensa
voz, que ecoava por toda a concha com tanta eloquência, já devia se imagina, era Teresa,
já se encontrava no palco, cantado cartola com Paulinho Sete Cordas...
Continua.


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